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DC abraça o terror: “Clayface” leva o body horror ao universo de Batman

Publicado em 23 de Setembro de 2026 por Wanda Pankevicius Barros

Durante décadas, o body horror encontrou no cinema de gênero um espaço para transformar as alterações do corpo humano em fonte de inquietação. David Cronenberg tornou-se uma de suas principais referências com filmes como “Calafrios” (1975), “Videodrome – A Síndrome do Vídeo” (1983) e “A Mosca” (1986). Nos últimos anos, porém, o subgênero conquistou maior visibilidade. “Titane” (2021) venceu a Palma de Ouro em Cannes, enquanto “A Substância” (2024) alcançou o circuito das grandes premiações, chegando a disputar o Oscar de Melhor Filme. Mais do que indicar um simples aumento no número de produções, esses casos mostram que o body horror passou a ocupar espaços antes pouco habituais para o gênero.

Esse movimento chega agora ao universo dos super-heróis. A DC Studios prepara “Clayface”, filme sobre o clássico adversário de Batman, com direção de James Watkins, de “A Mulher de Preto” e “Não Fale o Mal”. Peter Safran, copresidente do estúdio, já definiu o projeto como body horror, enquanto a classificação R recebida nos Estados Unidos cita violência sangrenta intensa e gore. A escolha chama atenção porque coloca uma linguagem historicamente associada ao cinema de horror independente no centro de uma produção baseada em uma das propriedades mais conhecidas dos quadrinhos.

A história acompanha Matt Hagen, ator em ascensão que fica gravemente desfigurado e recorre a um tratamento experimental para recuperar sua aparência. O procedimento acaba transformando seu corpo e comprometendo sua percepção da realidade. É justamente nessa transformação que “Clayface” encontra uma ligação natural com o body horror: a origem do personagem permite tratar o corpo não apenas como consequência de uma experiência científica, mas como parte do conflito sobre quem Hagen passa a ser. Tom Rhys Harries interpreta o protagonista, sob direção de Watkins e roteiro desenvolvido por Mike Flanagan e Hossein Amini.

A presença do body horror em uma produção da DC também ajuda a dimensionar a mudança de espaço conquistada pelo subgênero. O que durante muito tempo esteve associado principalmente a cineastas como Cronenberg hoje aparece em festivais, premiações e produções de grande alcance comercial. “Clayface”, com estreia prevista para outubro de 2026, talvez seja um dos exemplos mais claros dessa transformação: uma história de super-herói construída a partir do horror provocado pelo próprio corpo.

 

 

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