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Cinema em Perspectiva: Não tenha Medo da Escuridão

Publicado em 8 de Setembro de 2026 por Paulo Gustavo Pereira

Houve um tempo em que a televisão começou a entender que não poderia ficar dependente do cinema para completar sua grade de programação. Sim, vários sucessos feitos para a grande tela dos cinemas, começaram a ser adaptados para serem exibidos na tela do televisor em milhares de lares ao redor do mundo. Em 1964, duas produções abriram o caminho para o famoso made-for-TV, conhecido hoje como telefilme.

O primeiro foi o suspense de espionagem estrelado por John Forsyth e Senta Berger “See How They Run”, exibido em outubro daquele ano. Um mês depois, foi a vez de “The Hanged Man”, dirigido por Don Siegel. Os dois filmes foram produzidos e exibidos pela Rede NBC, considerados os pioneiros da produção de filmes para a televisão. A própria NBC apostou nessa nova produção nos anos 70 criando uma divisão de telefilmes que gerou por exemplo, “Encurralado”, dirigido por Steven Spielberg.

Essa onda de telefilmes desembarcou no Brasil também nos anos 70 com a sessão Premier Mundial, criada pela Rede Globo. Nela, diversos filmes de diversos gêneros foram exibidos conquistando o público ávido por novidades cinematográficas. Esses dois primeiros foram exibidos dentro dessa nova sessão, que trouxe outros momentos dessa produção feita para a TV, especialmente um gênero que pouco se tinha noção se poderia funcionar ou não: o terror.

No passado, episódios de séries como “Quinta Dimensão”, “Além da Imaginação”, suspense de Alfred Hitchcock e “Impacto”, apresentado por Boris Karloff, apresentavam momentos de tensão e suspense. O diferencial é que a história desses episódios não passava de 60 minutos. A proposta da NBC era produzir um filme longa-metragem com no mínimo 90 minutos de duração. Ou seja, dava para construir todo um clima de tensão e medo dentro da própria casa do espectador.

Foi assim que “Pânico e Morte na Cidade” (The Night Stalker, 1972), dirigido por Dan Curtis, abriu as portas para outras produções do gênero, como “Não Tenha Medo da Escuridão”, lançado em 1973. A história criada por Nigel McKeand mostrava um casal Sally e Alex Farnham, se mudando para uma grande mansão estilo vitoriana no interior da Califórnia. Interpretados por Kim Darby (Bravura Indômita) e Jim Hutton (Nas Trilhas da Aventura), eles se mudam para uma casa vitoriana no interior da Califórnia.

Enquanto começava a reforma da casa, Sally descobre uma sala secreta que contém uma porta por onde criaturas de uma dimensão sobrenaturais saem para atacar a jovem esposa. O clima da história vai aumentando a cada cena, especialmente quando Alex finalmente acredita que a esposa está sendo assediada por algo que ele não consegue entender. Os últimos 15 minutos do filme é de uma tensão assustadora, com um resultado que deixou o público chocado. Fica aqui o depoimento de quem viu e até hoje lembrar com pavor, dessa história.

Quando Guillermo Del Toro decidiu fazer uma nova versão dessa história em 2010, “Não tenha Medo do Escuro”, ele substitui a jovem esposa pela pequena Sally (Bailee Madison). Ela vai morar com o pai, Alex (Guy Pierce) e a namorada dele Kim (Katey Holmes), na casa vitoriana. É lá que ela descobre um poço que é a porta de entrada das criaturas que irão atormentar a garota. Como não vi o filme, por respeito ao original, não se se o final é tão impactante como o original.

“Não tenha medo da Escuridão” mostrou nos distantes Anos 70 que o suspense e o terror poderiam estar juntos numa produção formatada para a televisão. Agora, imagine você assistindo a esse filme, onde cada sombra, cada momento onde Sally busca respostas sobre as diabólicas criaturas que habitam as paredes de sua casa, conduzissem, Vocês, leitores a um momento de puro Terror?

Meu conselho: assista na Darkflix+  “Não tenha medo da Escuridão”, mas com a luz acesa…

 

Paulo Gustavo Pereira é jornalista formado, com uma carreira consolidada na televisão, no impresso e no jornalismo cultural. Atuou em grandes emissoras como Tupi, Globo, Bandeirantes, Record, Manchete, Cultura e SBT, além de dirigir transmissões do Oscar no Brasil e nos Estados Unidos. Foi colaborador de importantes jornais, dirigiu revistas especializadas e é autor de livros de referência sobre séries e animação. Atualmente, é editor do site BesTV, apresenta o programa homónimo ao vivo e atua como especialista em séries e filmes.

 

 

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