Brian De Palma completa 86 anos nesta sexta-feira (11) ainda envolvido com o cinema.
Nascido em Newark, Nova Jersey, De Palma estudou física na Universidade Columbia antes de se aproximar definitivamente do cinema. Seus primeiros trabalhos surgiram no circuito independente dos anos 1960, período em que dirigiu curtas flertando com a sátira política e contracultura. “Saudações” (1968), com um jovem Robert De Niro no elenco, levou o Urso de Prata no Festival de Berlim em 1969 e marcou uma das primeiras repercussões internacionais de seu trabalho.
A mudança de escala aconteceria na década seguinte. Depois de “Irmãs Diabólicas” (1972) e “O Fantasma do Paraíso” (1974), De Palma chegou a “Carrie, a Estranha” (1976), adaptação do romance de Stephen King que ajudou a consolidar sua presença no cinema de gênero. Vieram então “Trágica Obsessão” (1976), “A Fúria” (1978), “Vestida para Matar” (1980), “Um Tiro na Noite” (1981) e “Dublê de Corpo” (1984). O voyeurismo, a manipulação do ponto de vista, o uso da tela dividida e os longos movimentos de câmera tornaram-se recursos recorrentes de uma filmografia que dialoga abertamente com Alfred Hitchcock, mas também transforma a própria linguagem cinematográfica em parte das histórias que conta.
De Palma também transitou pelo cinema de crime e pelas grandes produções de estúdio. “Scarface” (1983), com Al Pacino, ganhou uma presença cultural que ultrapassou sua recepção inicial; “Os Intocáveis” (1987) rendeu a Sean Connery o Oscar de ator coadjuvante e recebeu outras três indicações à Academia. Depois vieram “Pecados de Guerra” (1989), “O Pagamento Final” (1993) e “Missão: Impossível” (1996), primeiro longa da franquia protagonizada por Tom Cruise. A relação de De Palma com Hollywood, no entanto, nunca foi linear: sucessos comerciais conviveram com filmes recebidos de maneira controversa e projetos que encontraram maior reconhecimento crítico anos depois.
Entre as distinções recebidas pelo diretor estão os Grandes Prêmios do Festival de Cinema Fantástico de Avoriaz por “O Fantasma do Paraíso” (1974) e “Carrie, a Estranha” (1976). Em 2007, “Guerra Sem Cortes” (2007), realizado em torno da guerra do Iraque e da circulação de imagens do conflito, lhe rendeu o Leão de Prata de melhor direção no Festival de Veneza. O mesmo festival voltou a homenageá-lo em 2015 com o Jaeger-LeCoultre Glory to the Filmmaker Award, prêmio dedicado a realizadores que deixaram uma contribuição particular à linguagem do cinema.
Nas últimas duas décadas, sua produção tornou-se mais espaçada. Depois de “Femme Fatale” (2002), “A Dália Negra” (2006), “Guerra Sem Cortes” (2007) e “Paixão” (2012), De Palma dirigiu “Domino – A Hora da Vingança” (2019), seu longa mais recente lançado comercialmente. Aos 86 anos, porém, sua filmografia pode ganhar um novo capítulo: o cineasta prepara “Sweet Vengeance”, thriller inspirado em histórias reais de assassinato e produzido pela RT Features, de Rodrigo Teixeira. O projeto, anunciado originalmente em 2018 e adiado durante anos, voltou a avançar em 2026, com filmagens previstas em Portugal e lançamento projetado para 2027. A obra marca o retorno à direção após de um intervalo de oito anos.
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