• Cinema em Perspectiva
  • Darkflix

Cinema em Perspectiva: Michael Crichton, o Médico Escritor

Publicado em 23 de Março de 2026 por Paulo Gustavo Pereira

O ano era 1972. Tinha 14 anos de idade e meu pai, o saudoso Paulo Pereira me deu um ingresso especial de uma rede de cinemas em São Paulo, onde poderia escolher qualquer filme para ver. E não era uma escolha fácil, já que a maioria dos filmes em cartaz eram impróprios para menos de 18 anos. Depois de folhear o jornal, ali estava o meu alvo: o Cine Majestic da Rua Augusta, exibindo O Enigma de Andrômeda.

Vi, extasiado, um vírus vindo do espaço causar uma devastação numa pequena cidade do meio oeste americano, e ser levado para o poderoso laboratório do governo americano, Wildfire. Um lugar de alta tecnologia, onde, até o final do filme, saberíamos se os cientistas conseguiriam descobrir quem era Andrômeda, o nome do recém-batizado vírus espacial, que transformava o sangue das pessoas em pó…

Esse foi meu primeiro contato com o tal do Michael Crichton, autor do livro de onde o filme havia sido adaptado e dado para o fantástico Robert Wise, responsável pelo clássico O Dia em que a Terra Parou, dirigir. Com o tempo, O Enigma de Andrômeda, que foi lançado um ano antes da minha visita ao cinema, tornou-se um clássico da ficção-científica.

Tudo graças a Michael Crichton, que decidiu trocar o diploma médico de Harvard, pela carreira de escritor. Crichton estudou na Harvard University, onde inicialmente se interessou por humanidades e antropologia. Após concluir a graduação com distinção, ingressou na Harvard Medical School e obteve o título de médico em 1969. Para pagar os estudos, ele começou a escrever contos de sob o pseudônimo de John Lange.

O ponto de virada ocorreu em 1968, quando publicou Um Caso de Necessidade, um suspense médico lançado sob o pseudônimo Jeffery Hudson. O livro abordava aborto e racismo no ambiente hospitalar, e conquistou Prêmio Edgar para os escritores de suspense policial. O prêmio que reconheceu que sua formação científica poderia se transformar em material dramático, algo que se tornou sua marca registrada.

Em 1969, o ano em que concluiu a faculdade de medicina, Crichton decidiu que era hora de se revelar ao público, assinando seu próximo livro, O Enigma de Andrômeda. O romance acompanha um grupo de cientistas que são recrutados durante uma crise relacionada com a queda de um satélite americano numa pequena comunidade do interior do Arizona. Toda a população foi encontrada morta, com exceção de um bebê recém-nascido e um velho bêbado. O livro entrou na lista dos best-sellers do ano, criando o gênero techno-thriller, e fazendo com que Michael Crichton abandonasse a carreira média para se dedicar inteiramente ao trabalho de escritor.

É claro que seu trabalho despertou o interesse de Hollywood. Além de O Enigma de Andrômeda, lançado em 1971, os livros Receita: Violência foi lançado no ano seguinte, estrelada por James Corbun e dirigido por Blake Edwards; seguindo de O Homem Terminal (1974), com George Segal e direção de Mike Hodges. O Enigma de Andrômeda está disponível no canal streaming Darkflix.

Michael também decidiu mostrar seu talento na direção de um roteiro original escrito por ele em 1973, chamado de Westworld – Onde Ninguém tem Alma. A ousadia do autor, roteirista e diretor, estava em criar um clima de suspense e pavor quando um parque temático para adultos, entra em pane, e começa a eliminar seus frequentadores. Algo que ele usaria em um de seus maiores sucessos literários, O Parque dos Dinossauros (1990), que Steve Spielberg o transformaria num dos grandes sucessos do cinema em 1993.

A lista de filmes produzidos em cima do trabalho de Michael Crichton é grande e fascinante ao mesmo tempo. Graças a um momento de dificuldade, quando o autor foi despertado para pagar as contas do futuro médico.

Essa, com certeza, foi uma decisão que Michael nunca deve ter se arrependido… para a felicidade de seus fãs, tanto da literatura, como no cinema e na TV, já que ele é o responsável por uma das séries médicas mais populares da história da televisão mundial, E.R. – Plantão Médico! Mas isso fica para uma próxima história…

 

Paulo Gustavo Pereira é jornalista formado, com uma carreira consolidada na televisão, no impresso e no jornalismo cultural. Atuou em grandes emissoras como Tupi, Globo, Bandeirantes, Record, Manchete, Cultura e SBT, além de dirigir transmissões do Oscar no Brasil e nos Estados Unidos. Foi colaborador de importantes jornais, dirigiu revistas especializadas e é autor de livros de referência sobre séries e animação. Atualmente, é editor do site BesTV, apresenta o programa homónimo ao vivo e atua como especialista em séries e filmes.

 

 

DARKFLIX+ é um serviço de streaming de filmes e séries dos gêneros terror, ficção-científica e fantasia. Baixe o aplicativo DARKFLIX+ no seu celular ou tablet diretamente de sua loja de aplicativos ou acesse pelo site www.darkflixplus.com.br. Para ter acesso ao conteúdo pago basta assinar o serviço por R$ 9,90/mês, ele pode ser pago através de cartões de crédito. A DARKFLIX+ está disponível em diversos sistemas operacionais e dispositivos de Smart TVs, como o Tizen, webOS, Roku, Android TV, Chromecast, além de iOS e Android (mobile), entre outros. Também está disponível para assinatura pela Claro tv+.