• Crônica

Cinema em Perspectiva: O-BI, O-BA – O Fim da Civilização

Publicado em 27 de Fevereiro de 2026 por Wanda Pankevicius Barros

Texto de Marcelo Humbro – Jornalista, roteirista e crítico de cinema.

O-BI, O-BA – O Fim da Civilização (O‑bi, O‑ba: Koniec cywilizacji), 1985 é uma distopia ácida e surreal que integra a chamada “tetralogia pós-apocalíptica” de Piotr Szulkin, ao lado de obras como “Golem” (1979), “A Guerra dos Mundos – Próximo Século” (Wojna światów – następne stulecie), 1981 e “Ga Ga: Glória aos Heróis” (Ga‑ga: Chwała bohaterom), 1986.

Ambientado após uma guerra nuclear, o filme acompanha os últimos sobreviventes humanos confinados em um bunker decadente, aguardando um suposto resgate que talvez nunca venha. Szulkin constrói uma atmosfera opressiva, claustrofóbica e grotesca, onde a esperança é manipulada como instrumento de controle social. A sociedade subterrânea retratada é marcada por burocracia absurda, hierarquias arbitrárias e um culto quase religioso à salvação iminente — uma clara metáfora para regimes autoritários e para a alienação coletiva.

Diferentemente de muitas ficções pós-apocalípticas ocidentais focadas em ação ou espetáculo, o filme aposta no desconforto psicológico e na sátira política. O humor é negro, cruel e profundamente pessimista. Visualmente, a obra impressiona pelo design sujo e industrial, pela fotografia sombria e por figurinos que evocam tanto decadência quanto teatralidade — elementos que reforçam a sensação de um mundo já morto, mantido artificialmente em funcionamento.

Szulkin, trabalhando sob a Polônia comunista dos anos 1980, utiliza a ficção científica como veículo para uma crítica velada ao totalitarismo, à propaganda estatal e à passividade social. A população do bunker aceita absurdos porque precisa acreditar em alguma promessa de futuro — uma alegoria poderosa sobre manipulação ideológica.

“Obi, Oba” é, portanto, menos um filme sobre o fim físico da civilização e mais sobre sua decomposição moral e psicológica. Denso, perturbador e deliberadamente anti-comercial, permanece como uma das distopias mais contundentes do cinema do leste europeu e uma obra essencial para quem se interessa por ficção científica política e alegórica.

 

Marcelo Humbro jornalista, pesquisador, roteirista e crítico de cinema, além de membro da VdFk – Associação Alemã de Críticos de Cinema. O filme “O-BI, O-BA – O Fim da Civilização” está disponível na Darkflix+.

 

 

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