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Cinema em Perspectiva: O Sanatório da Clepsidra

Publicado em 17 de Fevereiro de 2026 por Wanda Pankevicius Barros

 

Texto de Marcelo Humbro – Jornalista, roteirista e crítico de cinema.

 

“O Sanatório da Clepsidra” (Sanatorium pod klepsydrą, 1973), dirigido por Wojciech Jerzy Has, é uma das experiências mais singulares e perturbadoras do cinema europeu do pós-guerra. Inspirado livremente na obra literária de Bruno Schulz, o filme rejeita a narrativa tradicional para construir um universo onde o tempo é instável, a memória se fragmenta e a realidade se dissolve em imagens oníricas. Não se trata de contar uma história linear, mas de conduzir o espectador por um estado de consciência marcado por repetição, ruína e melancolia.

Produzido na Polônia e filmado em estúdios em Łódź, o longa se destaca pelo apuro técnico e pela ambição estética. A fotografia de Witold Sobociński confere densidade pictórica às imagens, enquanto a direção de arte de Jerzy Skarżyński e Andrzej Płocki transforma o sanatório em um verdadeiro labirinto mental: corredores intermináveis, salas em decomposição, objetos que parecem carregados de lembranças. Cada espaço funciona como extensão da psique do protagonista, onde passado e presente coexistem sem hierarquia.

Premiado com o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 1973, o filme consolidou Has como um autor de culto, embora tenha enfrentado resistência inicial em seu país, tanto por seu caráter alegórico quanto por sua abordagem simbólica da memória histórica e cultural. A crítica internacional costuma exaltar a força visual do filme, sua mise-en-scène rigorosa e a maneira como transforma cenografia e ritmo em elementos narrativos centrais. Por outro lado, parte da crítica literária apontou uma adaptação “infiel” a Schulz, justamente por Has optar pela recriação cinematográfica em vez da ilustração literal dos textos.

Entre os pontos altos da obra estão a unidade estética impressionante, a atmosfera hipnótica e a ousadia formal. Como contraponto, sua estrutura fragmentada, a ausência de progressão dramática convencional e o excesso ornamental podem afastar espectadores menos afeitos ao cinema experimental. Ainda assim, “O Sanatório da Clepsidra” permanece como um clássico incontornável do cinema fantástico autoral: um filme que não pede compreensão imediata, mas entrega uma experiência sensorial profunda, onde o cinema se afirma como arte da memória, do tempo e da imaginação em ruínas.

Marcelo Humbro jornalista, pesquisador, roteirista e crítico de cinema, além de membro da VdFk – Associação Alemã de Críticos de Cinema. O filme “O Sanatório da Clepsidra” está disponível na Darkflix+.

 

 

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