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Metropólis, como seria 2026 de acordo com o cineasta Fritz Lang

Publicado em 12 de Janeiro de 2026 por Wanda Pankevicius Barros

Lançado em 1927, Metrópolis, de Fritz Lang, permanece como uma das obras mais ambiciosas e influentes da história do cinema. Concebido como uma grande parábola futurista, o filme se passa no ano de 2026, uma data que, vista hoje, convida inevitavelmente à comparação entre a distopia imaginada pela República de Weimar e a realidade contemporânea. A pergunta surge quase automaticamente, Lang teria previsto o futuro?

Disponível na Darkflix+, Metrópolis apresenta uma cidade monumental, vertical e rigidamente dividida em castas. No topo, a elite intelectual e econômica desfruta do conforto, do lazer e do controle. No subsolo, invisíveis ao poder, operários trabalham de forma extenuante para manter o funcionamento da cidade, reduzidos a meras extensões das máquinas. O futuro de 2026 projetado pelo filme não é apenas tecnológico em sua aparência, mas profundamente social, um mundo onde o progresso aprofunda desigualdades e transforma seres humanos em engrenagens descartáveis.

 

 

Visto a partir do presente, Metrópolis não “previu” o futuro de maneira literal. O que o filme antecipa, com impressionante lucidez, é a lógica estrutural da modernidade industrial e pós-industrial, como a concentração extrema de poder, a alienação do trabalho, a idolatria da eficiência e a separação radical entre quem pensa e quem executa. E para nós, em 2026, cercados por automação, algoritmos e sistemas que regulam a vida cotidiana, o alerta de Lang soa menos como ficção científica e mais como diagnóstico social.

A crítica central do filme se expressa por meio de símbolos poderosos. As máquinas surgem como entidades quase divinas, exigindo sacrifícios humanos para continuar operando. Em uma das sequências mais icônicas, uma usina se transforma no deus Moloch, devorando trabalhadores em um ritual de morte industrial. Lang não condena a tecnologia em si, mas o modelo de sociedade que a utiliza para controlar, explorar e desumanizar. A célebre frase que encerra o filme “o mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração” sintetiza essa visão: sem empatia e responsabilidade social, o progresso se converte em barbárie.

Essa mensagem, no entanto, sempre foi alvo de controvérsia, inclusive para o próprio diretor. Anos mais tarde, Fritz Lang fez uma autocrítica contundente da obra:

“Pessoalmente, não gosto de Metrópolis porque tenta resolver um problema social de forma infantil. Tenho que aceitar a responsabilidade por isso, embora talvez nem tudo seja meu.”

A declaração é geralmente interpretada como uma referência direta à influência de Thea von Harbou, co-roteirista do filme e então esposa de Lang. Escritora de enorme sucesso na Alemanha dos anos 1920, Harbou foi peça-chave na construção do universo narrativo de Metrópolis, trazendo à história uma visão conciliatória, quase messiânica, em que a luta de classes seria resolvida por um mediador moral, e não por conflito ou transformação estrutural.

Esse aspecto da obra ganha um peso histórico ainda maior à luz do que viria depois. Diferentemente de Lang, que fugiria da Alemanha após a ascensão de Hitler, tornando-se um dos grandes nomes do cinema no exílio, Thea von Harbou se filiou oficialmente ao Partido Nazista em 1933 e continuou trabalhando no cinema do Terceiro Reich. Essa guinada ideológica lança uma sombra retrospectiva sobre Metrópolis, especialmente sobre sua recusa em propor uma ruptura radical com o sistema de dominação que retrata.

 

 

Fritz Lang, austríaco de origem judaica, foi um dos grandes nomes do expressionismo alemão, movimento que utilizava cenários distorcidos, arquitetura opressiva e jogos de luz e sombra para expressar angústias psicológicas e tensões sociais. Em Metrópolis, essa estética atinge uma escala inédita. Os arranha-céus colossais, inspirados tanto na Nova York moderna quanto em mitologias antigas, criam um futuro grandioso, mas profundamente inóspito.

Apesar das contradições internas e das divergências ideológicas entre seus criadores, Metrópolis atravessou quase um século sem perder relevância. Influenciou gerações de cineastas, da ficção científica clássica ao cinema contemporâneo, e estabeleceu imagens que se tornaram definitivas na representação do futuro urbano. Mais do que prever 2026, o filme revelou um temor recorrente da modernidade, o de que a tecnologia avance mais rápido do que a consciência ética capaz de guiá-la.

Ao chegar simbolicamente ao ano em que se passa, Metrópolis permanece como um espelho desconfortável. Não tanto por aquilo que acertou em termos de previsão, mas por mostrar que os dilemas fundamentais, desigualdade, exploração e desumanização,  continuam à espera de uma solução que não seja, como temia Lang, infantil.

 

 

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