Texto de Carlos Castelo – Jornalista, poeta e publicitário.
“Réveillon Maldito” é um filme que olha para o calendário, vê a palavra “Réveillon” e decide tratá-la como uma ameaça.
A premissa é muito simples: a cada meia-noite, em um fuso horário diferente dos Estados Unidos, alguém morre. Não por engano, nem por acidente, mas porque um sujeito que se autodenomina Evil resolveu transformar o Ano-Novo numa espécie de amigo secreto homicida. O presente é sempre o mesmo: morte. O embrulho da lembrancinha: uma ligação telefônica com voz distorcida.
No centro do caos está Blaze, punk rockstar, apresentadora de TV e símbolo máximo daquele momento em que os anos 70 ainda não tinham ido embora e os 80 já chegavam com ombreiras nas roupas. Blaze comanda uma festa transmitida ao vivo, o que por si só já é uma ideia assustadora. Réveillon televisionado é algo que nunca dá certo: ou vira embaraço, ou tragédia. No longa, vira os dois.
O assassino liga, descreve seus feitos com orgulho quase pedagógico, e a polícia corre atrás do próprio rabo, tropeçando em pistas inúteis e decisões sem sentido. Enquanto isso, o espectador assiste a mortes em bares, drive-ins e becos, todas embaladas por uma trilha sonora que parece ter sido gravada no interior de uma Kombi.
Mas o charme de “Réveillon Maldito” não está na eficiência do terror. Está justamente na falta. É um slasher que não quer ser sofisticado, não quer ser psicológico, nem profundo. Deseja ser apenas tosco e um pouco constrangedor. É o tipo de filme que você assiste pensando: “ninguém revisou isso”, e percebe que essa é exatamente a graça.
O vilão não assusta tanto quanto diverte. As perseguições são longas demais, as soluções são improváveis, e o roteiro parece ter sido escrito cinco minutos antes da filmagem, talvez durante a ceia do Réveillon. Ainda assim, há algo irresistível nesse delírio oitentista: a sensação de que tudo poderia dar errado. E dá.
“Réveillon Maldito” é um filme para ser visto no dia 31 de dezembro, de preferência depois da terceira taça de espumante. Ele não promete redenção, esperança, nem novos começos. Oferece apenas uma certeza reconfortante: por pior que seja o seu Ano-Novo, você ao menos não está recebendo ligações de um assassino chamado Evil. E isso, claro, já é um ótimo motivo para brindar.
Título original: New Year’s Evil.
Lançamento: 19 de dezembro de 1980.
País de origem: Estados Unidos.
Direção: Emmett Alston.
Duração: 85 minutos
Roteiro: Leonard Neubauer e Emmett Alston.
Trilha sonora: Banda Shadow.
Carlos Castelo é jornalista, poeta e publicitário com carreira marcada por premiações como os Leões de Cannes. Como cronista, colabora com veículos como O Estado de S. Paulo, O Dia e Rascunho. Co-fundador do grupo de humor Língua de Trapo, ele une em sua escrita o olhar crítico e a veia literária. “Réveillon Maldito” está disponível na Darkflix+.
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