• Crônica
  • Darkflix

CRÔNICA: A Autópsia de Jane Doe

Publicado em 7 de Outubro de 2025 por Wanda Pankevicius Barros

 

Texto de Carlos Castelo – Jornalista, poeta e publicitário.

 

Confesso: nunca imaginei que uma simples noite de cinema em casa terminaria comigo analisando meu próprio pulso para ver se ainda estava vivo. “A Autópsia de Jane Doe”, esse terror de 2016 prometia suspense atmosférico. Traduzindo: você vai parar de respirar várias vezes e pensar seriamente em adotar um gato para lhe fazer companhia. Isso porque, aparentemente, os fantasmas respeitam gatos.

A história começa inocente, como toda tragédia doméstica: um pai e um filho, legistas, resolvendo o expediente num necrotério que tem menos iluminação do que uma rave de vagalumes. De repente, chega uma moça misteriosa, a Jane Doe. Bonita, intacta…morta. A partir daí, o filme vira uma espécie de aula de anatomia dada pela escola de medicina do inferno.

Enquanto eles abrem o corpo, nós, espectadores, abrimos nossa alma e gritamos “não mexe aí!”. Mas eles mexem. E cada novo órgão revela uma história mais bizarra que tutorial de maquiagem de Halloween. Há símbolos, cortes internos, coisas que desafiam a biologia e a coragem. E, claro, sons, muitos sons. Porque o diretor do filme parece ter decidido que o verdadeiro vilão da narrativa é o barulho de sinos, portas e passos que não pertencem a ninguém.

O mais fascinante (e apavorante) é como a equipe consegue transformar um único cenário, o necrotério, num labirinto psicológico. Brian Cox e Emile Hirsch carregam o terror no olhar: aquele tipo de olhar que diz “devíamos ter virado estudantes de Contabilidade”.

Em certo momento, percebi que o ambiente estava tão tenso que a pipoca na panela havia parado de estourar. Talvez por solidariedade a mim. Pois eu também estava imóvel, só com os olhos piscando mais do que quem possui algum tique.

O final, sem spoilers, é aquele tipo de reviravolta que faz você prometer nunca mais duvidar da expressão “os mortos não descansam”. E, ao mesmo tempo, deixa uma pontinha de respeito, ou medo, pela misteriosa Jane Doe.

Quando os créditos subiram, acendi todas as luzes da casa, fiz um chá de camomila e deixei a TV ligada em um desenho animado por segurança. No fundo, “A Autópsia de Jane Doe” é isso: um lembrete de que curiosidade científica é ótima, desde que aplicada em horários diurnos.

 

  • Título original: The Autopsy of Jane Doe
  • Lançamento: 2016 (estreia no Brasil em 4 de maio de 2017)
  • Direção: André Øvredal
  • Roteiro: Ian Goldberg e Richard Naing
  • Trilha sonora: Danny Bensi e Saunder Jurriaans
  • Duração: 86 minutos
  • País de origem: Reino Unido

 

Carlos Castelo é jornalista, poeta e publicitário com carreira marcada por premiações como os Leões de Cannes. Como cronista, colabora com veículos como O Estado de S. Paulo, O Dia e Rascunho. Co-fundador do grupo de humor Língua de Trapo, ele une em sua escrita o olhar crítico e a veia literária. “A Autópsia de Jane Doe” está disponível na Darkflix+.

 

 

DARKFLIX+ é um serviço de streaming de filmes e séries dos gêneros terror, ficção-científica e fantasia. Baixe o aplicativo DARKFLIX+ no seu celular ou tablet diretamente de sua loja de aplicativos ou acesse pelo site www.darkflixplus.com.br. Para ter acesso ao conteúdo pago basta assinar o serviço por R$ 9,90/mês, ele pode ser pago através de cartões de crédito. A DARKFLIX+ está disponível em diversos sistemas operacionais e dispositivos de Smart TVs, como o Tizen, webOS, Roku, Android TV, Chromecast, além de iOS e Android (mobile), entre outros. Também está disponível para assinatura pela Claro tv+.