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Entrevista: Paulo Biscaia Filho fala sobre estreia de “A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti” na Darkflix+, sua sequência e novos projetos

Publicado em 22 de Agosto de 2024 por Wanda Pankevicius Barros

A Darkflix+ teve o prazer de entrevistar novamente o paranaense Paulo Biscaia Filho, nome de destaque dentro do universo do terror, seja nas produções cinematográficas ou teatrais.

 

Biscaia é graduado em Artes Cênicas pela PUC-PR e Mestre em Estudos Teatrais pela Royal Holloway University of London, com tese sobre o Théâtre du Grand Guignol, teatro localizado na região do Pigalle em Paris. O cineasta atua como diretor, roteirista e editor de cinema e vídeo e é responsável por filmes como o “Morgue Story: Sangue, Baiacu e Quadrinhos” (2009), “Nervo Craniano Zero” (2012) – ambos exibidos em festivais nacionais e internacionais e ganhadores de inúmeros prêmios – e “Virgens Acorrentadas” (2018), seu primeiro longa internacional baseado no roteiro de Gary McClain Gannaway.

À frente da Vigor Mortis, companhia de teatro, vídeo e quadrinhos com 27 anos de atuação, Paulo dirigiu inúmeras peças teatrais, tais como “Cantos Fúnebres da Esperança” (1991),” Morgue Story” (2004), “Marlon Brando, Whiskey, Zumbis e Outros Apocalipses” (2013), “A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti” (2017) e “A Farsa do Olho Traído” (2023). Ao todo, foram mais de 30 peças produzidas.  Tais obras renderam ao diretor oito Troféus Gralha Azul, principal premiação paranaense.

Conversamos sobre seus projetos mais recentes, entre eles, a websérie “A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti”, cuja versão em longa-metragem estreia na Darkflix+ no próximo dia 24 de agosto e a sua sequência que já se encontra em fase de pós-produção. Confira!

 

Cena de “A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti” (2022) / Imagem: Arquivo pessoal.

 

Em nossa última entrevista, em junho de 2020, estávamos em meio à pandemia. Muitos projetos e produções foram paralisados ou se readaptaram às restrições da época. Hoje, você consegue ter um balanço do impacto disso no horror independente e nos seus projetos?

Está todo mundo, de Hollywood a Ancine, tentando entender ainda o que é este momento pós pandemia. Já esqueceram que a pandemia existiu e não sabemos ainda quem somos ou o que realmente queremos depois dela. Isso inclui o cinema de horror. Tem muita coisa acontecendo, a recuperação está em andamento, mas se já era confuso antes, agora está ainda mais nebuloso. Isso também é bom, porque abre espaços para experimentações e novas mídias e linguagens. Um dos projetos em andamento agora é um filme chamado “Nunca terão paz”. Não sei como classificar esse trabalho. Mal vejo a hora de estar pronto e ver como o público vai dialogar com ele. Creio que o mais importante na vida de um artista nunca é saber as respostas certas, porque não existem, mas sim fazer as perguntas certas. Ao meu ver, uma delas é: o que é horror em tempos de apatia?

 

 No início de 2022, “A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti”, websérie de 10 episódios adaptada da peça homônima produzida pela Vigor Mortis em 2017, chegou ao grande público. Como surgiu a ideia de migrar a história dos palcos para as telas?

Durante a pandemia, o produtor Thiago Freire propôs de fazermos a peça on-line. Cada um em sua casa. Fizemos experimentações com tela verde e tudo mais. Não chegou a acontecer de verdade, mas a medida que íamos desenvolvendo aqueles ensaios virtuais, foi crescendo a ideia de transformar a peça em audiovisual. O formato de websérie vem de dois lugares. Primeiro da Carol Roehrig, que interpreta a Vonetta no filme e também cabeça da Infinitas Produções. O projeto foi uma proposta da Carol, que também tem experiência prévia com realização de webséries. Em segundo lugar pq o roteiro é cheio de pequenos cliffhangers à lá seriados dos anos 50. Isso fazia com que o formato seriado funcionasse, mas juntando tudo também. Uma coisa meio Caçadores da Arca Perdida. A peça já tinha essa linguagem meio audiovisual, que é uma permanente nas produções cênicas da Vigor Mortis. Como já havíamos feito essas transposições antes (Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos e Nervo Craniano Zero) , foi mais orgânico nesta versão de A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti. 

 

“A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti” (2022) / Imagem: Arquivo pessoal

 

A adaptação em estilo noir tem uma identidade visual forte, se passa na Curitiba de 1959, e além do mistério também apresenta criaturas clássicas do terror: o detetive, a femme fatale e até mesmo monstros. Quais foram os maiores desafios para realizar o projeto desse nível, desde a adaptação do roteiro até a edição final?

Em primeiro lugar essa produção sempre foi, desde a sua concepção como peça, sobretudo uma homenagem ao Rubens Francisco Lucchetti, ficcionista (como gostava de ser chamado) e papa do pulp brasileiro. Ele nos deixou esse ano. Mais do que nunca esse trabalho serve como celebração do gosto de Lucchetti por narrativas fantásticas com estes arquétipos do pulp e horror: os monstros, as mulheres fatais, os detetives, etc. Embora Lucchetti não tenha conhecido Curitiba, falei muito pra ele de minha cidade e ele gostava do que eu falava. Acabou ficando fora do filme, mas a peça tem uma frase que gosto muito e tenho certeza que l Lucchetti endossaria: “Curitiba é uma cidade perfeita para vampiros. Falta sol e sobram canalhas”. É a primeira vez que uso abertamente o nome da cidade como cenário de um trabalho meu e não sei porque não fiz antes. Em termos de desafios de produção, a adaptação tinha algumas coisas importantes a realizar. Primeiro era manter o ritmo e essência da peça, que já tinha sido testado e aprovado pelo público das peças. A segunda coisa era fazer o trabalho ainda na pandemia. Foi rodado em julho de 2021. Tomamos todos os cuidados necessários. Testando a equipe regularmente e mantendo os protocolos. Por fim, a experiência de fazer um trabalho inteiro em tela verde, nesse estilo assumidamente Sin City. Mas essa parte deu pra ter muita segurança com uma equipe de arte ótima do Guilherme Almeida e de fotografia do João Ferian. Isso sem falar no elenco maravilhoso que tenho a sorte de trabalhar: A Michelle Rodrigues (que também fez os efeitos práticos), Kenni Rogers, Ed Canedo, Paulo Rosa, Daniele Mariano, além da “chefa” Caroline Roehrig.  

 

Posteriormente, a Macabra Biblioteca foi reeditada como um longa-metragem e exibida na 18ª edição do Fantaspoa, maior festival de cinema da América Latina dedicado a filmes de gênero fantástico. Agora, o filme chega à Darkflix+, streaming também voltado ao gênero de terror e suas vertentes. Quais são suas expectativas considerando o alcance do serviço?  

Já temos uma parceria de primeira hora com a Darkflix. Tanto com nossos longas anteriores como com os filmes do Djanho!, que a mostra de cinema fantástico que organizamos em Curitiba e tem uma versão online com a Darkflix. O serviço está ficando cada vez mais bacana e é um orgulho estar ao lado de títulos tão legais que estão no catálogo. Acompanhar o crescimento da plataforma tem sido muito empolgante pois é um orgulho ver uma empresa brasileira crescendo de forma tão bonita. Sei da batalha que é e é incrível ver os obstáculos sendo vencidos e a base de assinantes crescendo. No mais, espero que os assinantes da Darkflix curtam muito A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti e, a partir do filme, conheçam e celebrem a memória e a obra de Rubens Francisco Lucchetti.

 

Imagens da sequência de “A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti” / Arquivo pessoal.

 

E para a alegria dos fãs, “A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti” estará de volta. A segunda parte também será uma websérie?

Sim! Estamos muito contentes em poder fazer uma sequência. Uma história inédita com os mesmos personagens da primeira temporada/filme e apresentando alguns novos personagens. Fazemos referência a obra “Sete ventres para o demônio”, do Lucchetti. Tem clones malignas, demônios, psicodelia anos 60, referências a filmes da Hammer. Tá uma delícia. Terminamos de filmar em julho e estamos começando a pós-produção. Nosso cronograma prevê a estreia em janeiro, dia 29, aniversário do mestre Lucchetti. Vai que não será uma estreia exclusiva Darkflix+? Aguardem!   

 

Será um prazer fazer parte da première! Além da sequência, você também está envolvido em uma série de projetos, pode falar um pouco sobre eles? E como um virginiano consegue lidar com toda essa demanda? 😊

Meu aniversário é dia 29, cinco dias após a estreia de A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti na Darkflix+. Tá todo mundo convidado para a festa, assistindo o filme! Hahaha. Mas sim, tem muitos projetos em andamento. Além de O Retorno da Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti, estamos preparando um Djanho! 2024 que vou falar mais abaixo, seguimos na luta para finalizar o novo longa “Nunca Terão Paz”, que é uma comédia romântica gore metafísica e pós apocalíptica; faremos aqui em Curitiba um espetáculo chamado “A Maldição dos 27 anos – Um Guia de sobrevivência da Vigor Mortis”, que será uma peça em comemoração aos 27 anos da nossa companhia produtora e vai acontecer num lugar incrível que ainda não podemos revelar. Acompanhando a peça nova, faremos um documentário entrevistando diversos artistas que fizeram e fazem a história da Vigor Mortis. Por fim, estrearemos no CCBB de São Paulo, neste próximo dia 27 de setembro, a temporada de A Farsa do Olho Traído, uma peça que fizemos em parceria com a Trupe de Festim, e que tem todos os elementos clássicos da Vigor Mortis: humor, ótimos atores e MUITO SANGUE. A peça fica em cartaz até 27 de outubro.  Por fim, em paralelo a tudo isso, sigo apresentando o podcast de lançamentos de cinema In Cine Veritas (assine em seu agregador de podcast favorito!), sempre estou com minhas aulas no curso de Cinema e Audiovisual da UNESPAR e estou terminando minha tese de doutorado sobre o assassino Febrônio Índio do Brasil. Ou seja: só sendo um virginiano radicalmente organizado com cronograma pra dar conta de tudo isso e não enlouquecer. Pelo menos não muito. Pra acompanhar esses projetos e muito mais, sigam nossa redes sociais: instagram.com/biscaia e instagram.com/vigormortis.art

 

Cartaz da edição deste ano da Mostra Djanho! / Imagem Divulgação.

 

Então, em breve também teremos mais uma edição do Djanho, certo?

Com certeza! O Djanho! 2024 é a nossa mostra de cinema fantástico de Curitiba que este ano conta com a curadoria do Rodolfo Stancki, Mallu Correa e Marcelo Miranda. Posso adiantar que, além da mostra competitiva, teremos alguns eventos especiais como palestra com Rodrigo Aragão apresentando cenas inéditas de seu próximo longa, sessões pra lá de especiais comemorando os 40 anos de Gremlins, com direito a participação virtual do diretor Joe Dante, homenagem a Roger Corman com sessões comentadas de trailers de seus filmes e dois de seus longas, oficinas com jovens e muito mais. Anunciaremos a programação em 10 de setembro e vamos ocupar alguns espaços bem inusitados da cidade, além das salas do Cine Passeio, do CinePlus Jardim das Américas e na Cinemateca de Curitiba. Isso sem contar em uma seleção de filmes da mostra competitiva que vai rolar na Darkflix+ em novembro.  

 

 

 

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