Celebrado neste sábado, 22 de agosto, o Dia Mundial do Folclore chama atenção para um patrimônio que não vive apenas de costumes ou narrativas preservadas ao longo dos séculos. Parte dele também nasceu da necessidade de explicar aquilo que escapava à compreensão, e é justamente nesse território que o folclore mantém uma relação particularmente fértil com o cinema. No terror, essa influência encontrou uma de suas expressões mais marcantes no folk horror, responsável por algumas das obras mais inquietantes do gênero.
Para marcar a data, a Darkflix+ reúne dez produções realizadas ao longo de mais de cinco décadas. Mais do que obedecer a uma definição rígida do horror folclórico, são obras nas quais a tradição interfere diretamente na maneira como o terror é construído. Em algumas, ela determina as regras daquele universo; em outras, permanece à margem, como algo antigo que continua presente mesmo quando seus personagens já não parecem dispostos a acreditar.
Filmes como “Kwaidan: As Quatro Faces do Medo” e “Onibaba: A Mulher Demônio” encontram no imaginário sobrenatural japonês matéria para histórias bastante distintas, enquanto “O Homem de Palha” fez do paganismo a base de uma das referências mais lembradas do gênero. Décadas mais tarde, “A Bruxa” recuperaria crenças e temores da Nova Inglaterra do século XVII, enquanto o menos conhecido “November” buscaria no extraordinário folclore estoniano um universo próprio.
O terror encontra nessas histórias algo que monstros inventados nem sempre conseguem reproduzir, a força de uma crença compartilhada.
Kwaidan – As Quatro Faces do Medo (1964)

Masaki Kobayashi transforma histórias tradicionais japonesas de fantasmas em quatro contos marcados por aparições, maldições e elementos do folclore sobrenatural do Japão.
November (2017)

Ambientado numa aldeia estoniana do século XIX, mistura bruxaria, espíritos, lobisomens e os kratts, criaturas do folclore estoniano construídas com ferramentas e objetos e trazidas à vida por meio de um pacto sobrenatural.
Você Não É Minha Mãe (2021)

Kate Dolan encontra no folclore irlandês e nas antigas histórias de changelings a base para uma narrativa sobre uma adolescente que começa a desconfiar que a mulher que voltou para casa pode não ser realmente sua mãe.
Onibaba – A Mulher Demônio (1964)

Ambientado no Japão medieval, o filme de Kaneto Shindō combina guerra, superstição, desejo e uma máscara demoníaca ligada ao imaginário budista e às tradições populares japonesas.
Viy – A Lenda do Monstro (1967)

Baseado no conto de Nikolai Gogol, o clássico soviético mergulha no folclore eslavo e ucraniano ao colocar bruxas, demônios e criaturas sobrenaturais diante de um jovem seminarista.
A Bruxa (2015)

Robert Eggers recupera superstições, relatos sobre bruxaria e crenças religiosas da Nova Inglaterra do século XVII para construir uma das obras responsáveis pela renovação contemporânea do folk horror.
O Estigma de Satanás (1971)

Um dos pilares do folk horror britânico, acompanha uma comunidade rural do século XVII tomada por superstições, cultos e uma presença demoníaca despertada sob a terra.
A Lista da Matança (2011)

O thriller de Ben Wheatley gradualmente abandona o terreno criminal para conduzir seus personagens a um universo perturbador de cultos e rituais pagãos.
O Homem de Palha (1973)

Referência incontornável do folk horror, transforma paganismo, celebrações sazonais, rituais de fertilidade e sacrifício em elementos de uma investigação numa remota ilha escocesa.
Negro, os Ritos de Maio (1976)

Mike De Leon combina fantasmas, religiosidade e tradições populares filipinas numa atmosfera em que os limites entre a crença e o sobrenatural tornam-se cada vez mais frágeis.
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