“O filme que você está prestes a assistir é um relato da tragédia que acometeu um grupo de cinco jovens, em particular Sally Hardesty e seu irmão inválido, Franklin.
É ainda mais trágico pelo fato de que eles eram jovens. Mas, mesmo que tivessem vivido vidas muito, muito longas, não poderiam ter esperado, nem teriam desejado, ver tanto da loucura e do macabro quanto viram naquele dia. Para eles, uma tarde de verão idílica se tornou um pesadelo.
Os eventos daquele dia levaram à descoberta de um dos crimes mais bizarros nos anais da história americana, O Massacre da Serra Elétrica.”
A narração de John Larroquette para a abertura de “O Massacre da Serra Elétrica”(1974) certamente faz parte de memória de todos os fãs de terror ao redor do mundo. A nota sinistra alertava sobre os horrores que seriam apresentados sob o comando do diretor Tobe Hooper em um dos filmes mais importantes do gênero de todos os tempos.
Lançado há 50 anos e disponível na Darkflix+, a obra não apenas inspirou várias sequências e reboots, mas também foi uma adição completamente nova ao segmento abrindo as comportas que jorrariam o sangue de viajantes desavisados em inúmeras obras que beberiam na mesma fonte. Leatherface ainda é um dos vilões mais perturbadores da história do cinema, e acredite, há mais detalhes por trás da história da louca família Sawyer/Hewitt do que os fãs podem imaginar.
Conto de fadas e Trolls
Quando o diretor Tobe Hooper e o escritor Kim Henkel decidiram se unir – eles já haviam trabalhado juntos em “Eggshells”, filme indie de baixo orçamento e pouco sucesso – já sabiam que o projeto seria um terror. No início, a dupla considerou uma versão sinistra da já sombria fábula de João e Maria, mas então pensaram em outro tipo de narrativa do conto de fadas: Trolls. Sim, a criatura mítica antropomórfica do folclore escandinavo. Se eles tivessem seguido o pensamento original, o filme se chamaria “Head Cheese” e seguiria um grupo de trolls que vivem sob uma ponte. Poderia ter sido tão bem-sucedido quanto “Eggshells” se eles não tivessem surgido com uma nova ideia.
Ed Gein, outros assassinos e politica

Qualquer fã de “O Massacre da Serra Elétrica” que se preze sabe que o vilão Leatherface foi, em grande parte, inspirado pelo serial killer Ed Gein (que também foi lembrado por Alfred Hitchcock em “Psicose”), mas ele não foi o único psicopata usado para dar realismo à trama. Hooper chegou a dizer em entrevista para a revista Interview, que a ideia do Leatherface foi, na verdade, derivada de uma história que seu médico lhe contou sobre as pegadinhas de mal gosto praticadas por ele durante o curso de medicina. “Quando ele era discente de medicina, a classe normalmente estudava cadáveres. Certa vez, ele foi ao necrotério, esfolou um cadáver e criou uma máscara para o Halloween”, contou o diretor. Este é um dos casos em que a verdade é muito mais estranha do que a ficção.
Hooper também pesquisou sobre Elmer Wayne Henley, um assassino em série adolescente do Texas. Ele observou Henley confessar seus crimes e achou fascinante o seu comportamento após ser apreendido. “Ele estufou o peito e disse: ‘Eu cometi esses crimes e vou me levantar e encarar isso como um homem.’ Bem, isso me pareceu interessante, que ele tivesse essa moralidade convencional naquele ponto. Ele queria que soubessem que, agora que havia sido pego, faria a coisa certa. Foi esse tipo de esquizofrenia moral que tentei construir nos personagens “, explicou o diretor.
Em relação ao clima do filme, Hooper e Henkel não precisaram ir tão longe, bastou acompanhar as notícias para terem uma leitura sobre a agitação cultural que existiu após o final da Guerra do Vietnã. Já a ideia de implementar uma serra elétrica no roteiro surgiu durante as compras de final de ano em uma loja lotada devido à proximidade do Natal. Foi durante a péssima experiência que o cineasta imaginou pessoas sendo mortas por uma motosserra. Uma brincadeira que caiu muito bem na trama. “Eu olhei para baixo e havia uma prateleira à minha frente com serras elétricas à venda. Eu disse, ‘se eu começar a serrar, as pessoas simplesmente se separariam. Elas sairiam do meu caminho’”, explicou.
Hopper estava trabalhando na história com a ideia de jovens universitários isolados de seu ambiente. Também havia os problemas econômicos e políticos que o país enfrentava no final da década de 1970, era uma época interessante, com vários elementos que foram compilados pelo diretor rapidamente, enquanto estava em seu carro. “Veio de verdade rapidamente – toda a configuração dos personagens – e o loop, a maneira como a história gira dentro de si mesma.”, disse.
A tortura de Tope Hooper

Vale esclarecer que a produção do longa aconteceu no Texas em um período de calor escaldante, certamente a condição gerou desconforto e algumas queixas da equipe e elenco, mas foi durante as filmagens que as coisas se tornaram mais “intensas”. Para começar, Hooper manteve o ator Gunnar Hansen (Leatherface) isolado do resto do elenco, ele só aparecia durante as gravações das cenas. A ideia do diretor era provocar sustos reais nos atores. Esse era apenas um dos muitos métodos que Hooper utilizou para evocar o horror espontâneo de suas estrelas.
Para se ter uma ideia, o ator Paul A. Partain, que interpretou o cadeirante Franklin Hardesty, não podia almoçar com os outros atores, tão pouco tomar banho.
A repetição das cenas também era algo habitual. Marilyn Burns, que deu vida à Sally Hardesty, precisou arrombar a porta do posto de gasolina por 17 vezes sem nenhum equipamento de segurança, aliás, Burns foi a que mais sofreu fisicamente durante as filmagens, ela ganhou um olho roxo em uma das cenas, sofreu sérios arranhões durante uma fuga pela floresta e teve um de seus dedos cortados de verdade na cena na mesa de jantar. Felizmente, no que diz respeito a motosserra, a sua corrente foi removida para que nenhum dos atores se ferissem.
Campos verdejantes e tentadores

De acordo com o relato autobiográfico de Gunnar Hansen em “Chain Saw Confidential: How We Made the World’s Most Notorious Horror Movie” que fala sobre os bastidores do filme, o dono da casa utilizada como cenário para o filme cultivava maconha em alguns hectares atrás da residência, e logicamente, o elenco e equipe se serviram da erva. Na verdade, um dos editores preparou brownies de maconha para todos. A degustação começou antes de gravar as últimas cenas que incluíam acrobacias bastante perigosas, ou seja, os atores estavam sob a influência da “droga”.
Larroquette, responsável pela narração na abertura do filme, foi pago por seu trabalho com um baseado. Segundo o ator, ele conheceu Hooper através de um amigo em comum durante uma viagem e os dois logo se deram bem. Alguns anos depois, o diretor entrou em contato e pediu que o ator gravasse a introdução do filme de graça, ele possuía alguma experiência como DJ e topou. “Entrei no estúdio, vi o papel, li para ele, gravei, disse adios, ele me deu um baseado, acho que como pagamento, e foi isso.” Larroquette nunca se preocupou em assistir ao filme, ou qualquer um de seus sucessores, mas as coisas acabaram valendo a pena para ele quando foi convidado a narrar a série quase 30 anos depois. “Quando reinventaram a série sem Tobe, fui chamado para fazer a narração novamente e realmente fui muito bem pago por isso.” O favor feito a um amigo sem dinheiro nos anos 1970 valeu a pena.
Sem carne para o jantar

Um dos temas centrais do longa original foi a maneira como as vítimas eram massacradas (da mesma forma que os animais). As vítimas eram golpeadas na cabeça com uma marreta, penduradas por ganchos e então armazenadas em freezers. Fica implícito que eles eram mortos para ser estocados e posteriormente consumidos pela família de canibais. Hooper, que havia se tornado vegetariano devido à suposta crueldade da indústria da carne, usou um matadouro real, pelo qual passava em viagens regulares, como cenário para o filme. Isso desempenhou um papel muito importante nas questões filosóficas da obra. “Certa vez, tive uma experiência em um restaurante onde havia um enorme carrinho com carnes sendo cortadas e apenas transpus diferentes imagens para aquela cena”, contou em entrevista. “Tipo, e se houvesse uma bela vaca com uma gravata borboleta cortando humanos com uma faca? Isso sempre me perturbou. Tornou-se parte da psicologia do filme.”
Mais tarde, ele admitiu que “o coração do filme era sobre carne”, embora o canibalismo dos personagens não seja confirmado no original. O cineasta Guillermo del Toro afirmou posteriormente que ficou sem consumir carne por um tempo após assistir “O Massacre da Serra Elétrica” e até mesmo a People for the Ethical Treatment of Animals (PETA), maior organização de direitos dos animais no mundo, reconheceu o longa como uma das obras mais pró-vegetarianismo de todos os tempos.
Muita arrecadação, pouco repasse.
“O Massacre da Serra Elétrica” alcançou grande sucesso de bilheteria (arrecadou mais de 30 milhões de dólares, uma grande quantia para a época). No entanto, o elenco e os cineastas envolvidos não viram a cor desse dinheiro. Hansen relembrou em uma entrevista à Entertainment Weekly que seu primeiro cheque foi de 47 dólares e sete centavos. Ele estimou que ganhava dois dólares por hora, valor que correspondia ao salário mínimo daquele ano nos Estados Unidos.
Devido a um cruel acordo de distribuição com a extinta Bryanston Distributors (uma empresa com supostos laços com a máfia), pouco dinheiro foi repassado aos envolvidos no projeto. O elenco ficou furioso com Hooper – sem saber que ele estava na mesa situação. Posteriormente, a New Line Cinema comprou os direitos de distribuição de Home Vídeo depois que a Bryanston deixou de pagar os milhões devidos à equipe do longa, foi só então que cerca de um milhão de dólares foi repassado aos cineastas.
Uma audição com muito gritos

Mais de 10 anos após o lançamento triunfante do primeiro filme, Hooper e Henkel novamente se uniram para criar “O Massacre da Serra Elétrica 2”, mas desta vez, eles não tiveram tanta liberdade. A New Line Cinema mergulhou no processo criativo, e os executivos não gostaram da ideia original: a trama sobre uma cidade inteira de canibais sob o título de “Além do Vale do Massacre da Serra Elétrica”. O roteirista L.M. Kit Carson foi contratado para dar o tom carnavalesco que a sequência veio a ter. Eles ainda conseguiram transformar a história em uma paródia do original com direito a um pôster no estilo da comedia dramática “Clube dos Cinco”.
Um dos fatos mais estranhos da sequência – além do ator Dennis Hopper ter odiado o filme – foi o teste de Caroline Williams. A atriz, que interpretaria a apresentadora de rádio que se tornaria a última vítima da família Sawyer (a turma de Leatherface ganhou um sobrenome no segundo filme), foi chamada para ler o papel e disse que suas falas não eram tão pesadas. Em vez de entrar e simplesmente ler seus poucos diálogos, a atriz decidiu improvisar enlouquecendo antes mesmo de colocar os pés na sala de audição. A tática deu certo e ela foi escalada.
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