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Incubus, o filme amaldiçoado que misturou filosofia, terror e um idioma neutro

Publicado em 9 de Janeiro de 2025 por Wanda Pankevicius Barros

Em 1966, o diretor Leslie Stevens, criador da icônica série “A Quinta Dimensão”, surpreendeu o mundo cinematográfico com “Incubus”, uma produção única por ser inteiramente falada em Esperanto, um idioma criado no final do século XIX.

O filme, estrelado por William Shatner, que posteriormente alcançaria a fama como o Capitão Kirk em “Star Trek”, resultou em uma obra fascinante ao combinar experimentalismo linguístico, profundidade filosófica e inovação cinematográfica.

A atmosfera única do filme é marcada pelo trabalho do renomado diretor de fotografia Conrad Hall, que trouxe um visual inspirado pelo expressionismo alemão, com uso intenso de contrastes entre luz e sombra para criar uma sensação de desconforto e mistério. Posteriormente, Hall venceria três Oscars de Melhor Fotografia pelos filmes “Butch Cassidy” (1969), “Beleza Americana” (1999) e “Estrada Para Perdição” (2002).

Após um lançamento restrito em 1966, os arquivos de “Incubus” foram perdidos na Universidade da Califórnia e por muitos anos foi impossível encontrar resquícios do filme. Em meados dos anos 1990, uma cópia do longa foi encontrada em uma cinemateca na França, o achado foi restaurado e relançado em mídia física em 1996 para a satisfação dos amantes do gênero. Atualmente, a obra está disponível no streaming Darkflix+.

 

 

Uma premissa sobrenatural e filosófica

“Incubus” narra a história de Marc (William Shatner), um homem com uma alma pura que busca renovação espiritual em uma vila misteriosa. Ele se torna alvo da sedutora Kia (Allyson Ames), um súcubo devoto ao Deus da Escuridão que atrai homens moralmente corrompidos para levá-los à perdição. Contudo, Kia descobre que Marc é incorruptível, o que desperta nela sentimentos humanos, desafiando sua própria natureza.

O filme explora questões filosóficas profundas, como o embate entre o bem e o mal, a força redentora do amor, e a fragilidade da moralidade humana. A jornada de Kia simboliza a luta interna entre instintos sombrios e o desejo de transcendência, enquanto Marc representa a integridade espiritual em um mundo repleto de tentações. Stevens utiliza tais metáforas para criar uma narrativa que transcende o gênero de terror, elevando-o a uma reflexão artística sobre a condição humana.

 

Esperanto, a escolha audaciosa

A decisão de rodar o filme em Esperanto conferiu a “Incubus” um caráter universal e atemporal. O idioma, criado pelo linguista polonês Ludwig Lazar Zamenhof em 1887, foi desenvolvido para ser uma língua universal que promovesse a comunicação entre povos de diferentes nações, facilitando a comunicação entre pessoas de diferentes culturas. Baseada no latim, ela incorpora elementos eslavos, franceses, portugueses e germânicos, e possui uma gramática regular, fácil de ser aprendida.

Embora nunca tenha se tornado uma língua global dominante, o Esperanto ainda é falado por uma comunidade estimada de dois milhões de pessoas em mais de 100 países, principalmente na Europa, na América do Sul e na Ásia, sendo utilizada em países tão diversos como China, Japão, Brasil, Irã, Madagascar, Bulgária e Cuba.

Para muitos, o idioma é um símbolo de paz e união entre culturas, tornando-o uma escolha poética para um filme que trata de temas universais. No contexto de “Incubus”, o uso do Esperanto reforça a ideia de que a história poderia ocorrer em qualquer lugar e tempo, acentuando o misticismo da narrativa.

 

 

O filme e a sua maldição

Além de sua excelência técnica, a obra carrega uma aura de mistério que transcende a tela. Diversas tragédias envolvendo o elenco e a equipe do filme alimentaram rumores de que a produção seria “amaldiçoada”. Entre os eventos mais marcantes estão o suicídio da atriz Ann Atmar doze dias antes do lançamento do longa, ela interpretou a irmã de Willian Shatner.

No mesmo ano, o ator Milos Milos, que deu vida ao demônio Incubus, assassinou Barbara Ann Thomason, ex-mulher do renomado ator Mickey Rooney, e se suicidou após seis meses. A atriz Eloise Hardt, a súcubo chefe da trama, teve sua filha sequestrada e morta por um psicopata dois anos depois do lançamento do longa. Até os dias de hoje, ninguém envolvido na produção de “Incubus” ousa falar sobre o filme.

Tais episódios sombrios, combinados com o desaparecimento do filme por décadas, ajudaram a consolidar seu status cult entre cinéfilos e entusiastas do terror. E você, tem coragem de assistir? Já disponível na Darkflix+.

 

 

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