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CRÔNICA: DEIXE-ME ENTRAR

Publicado em 25 de Setembro de 2025 por Wanda Pankevicius Barros

 

Texto de Carlos Castelo – Jornalista, poeta e publicitário.

 

“Deixe-me entrar” é sutil. Trata-se de um tipo de narrativa cinematográfica que se aproxima da gente de mansinho, como se pedisse permissão educadamente:

– Boa noite, posso entrar? Prometo que só vou sugar um pouquinho de sangue e deixar uns dilemas existenciais na sua sala de estar.

Chloe Grace Moretz em “Deixe-me Entrar” (Let Me In), 2010

 

A trama, ambientada nos anos 1980 no Novo México gira em torno de Owen, um garoto magricela que já tem uma vida de terror sem precisar de monstros: o bullying na escola. Para ele, a cantina já era um campo de batalha e o banheiro, praticamente o Vietnã. Mas eis que surge Abby, uma vizinha enigmática, descalça no frio e com aquela cara de quem sabe mais sobre a eternidade do que qualquer professor de História.

Abby, interpretada por Chloë Grace Moretz, é uma vampira com anos de estrada. Ela é doce na medida em que pode ser uma criatura que se alimenta de pescoços alheios. Seu relacionamento com Owen começa como um manual de amizade tímida: olhares desconfiados, diálogos quebrados e um cubo mágico como símbolo de aproximação. Só que, nesse caso, a frase “amizade é tudo” também vem acompanhada de: “desde que você me deixe entrar, ou vou derreter no seu carpete”.

O interessante é que o filme não joga monstros na tela para nos assustar com gritos repentinos. Ele prefere brincar com a ideia de que o verdadeiro terror está na solidão. Owen e Abby são dois seres deslocados, marginalizados, que encontram no outro não apenas companhia, mas também aceitação. Claro, essa aceitação vem com o bônus de algumas mortes na vizinhança, porque todo relacionamento tem seus problemas, não é mesmo?

Matt Reeves dirige a história com uma elegância quase cruel. A neve, o silêncio e as sombras compõem uma atmosfera que nos prende mais do que qualquer corrente de caixão. Não há exageros hollywoodianos; o terror é psicológico, atmosférico, e talvez por isso a gente acabe torcendo tanto pelo casal mais improvável do cinema: um garoto de doze anos e uma vampira de, sei lá, trezentos.

“Deixe-me entrar” reflete sobre o desejo humano universal de não estar sozinho. O fato de que essa companhia venha acompanhada de unhas afiadas e dentes longuíssimos é apenas um detalhe. O que fica é a pergunta: até onde você iria para não se sentir invisível? E, principalmente, você abriria a porta?

 

Título original: Let me in

Lançamento: 2010

Direção: Matt Reeves

Roteiro: Matt Reeves (baseado no romance de John Ajvide Lindqvist)

Trilha sonora: Marco Beltrami

Duração: 116 minutos

País de origem: Estados Unidos / Reino Unido

 

Carlos Castelo é jornalista, poeta e publicitário com carreira marcada por premiações como os Leões de Cannes. Como cronista, colabora com veículos como O Estado de S. Paulo, O Dia e Rascunho. Co-fundador do grupo de humor Língua de Trapo, ele une em sua escrita o olhar crítico e a veia literária. “Deixe-me Entrar” está disponível na Darkflix+.

 

 

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