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Cinema em Perspectiva: Delírios de um Fantasma no Paraíso

Publicado em 27 de Janeiro de 2026 por Wanda Pankevicius Barros

 

Texto de Paulo Gustavo Pereira – Jornalista e apresentador.

  

O então desconhecido jovem cineasta Brian de Palma cria uma fantástica obra-prima sobre a corrupção da alma e o rock’n’roll com “O Fantasma do Paraíso” (1974).

O sucesso é algo importante na carreira de quem pretende ser alguém no complicado mundo do Cinema. Pode pegar a história de qualquer astro, estrela, diretor ou roteirista, para ver que começaram em algum projeto pequeno, abrindo espaço gradativamente até conseguirem mostram ao mundo a que vieram. No caso de Brian De Palma, que fazia parte da turminha de Francis Ford Coppolla, Martin Scorcese, George Lucas e Steven Spielberg, o mundo começou a reconhecer seu talento quando ele adaptou o primeiro sucesso literário de Stephen King, “Carrie – A Estranha”, em 1976.

Aqui no Brasil, o fato de Brian de Palma ganhar comentários nos jornais e revistas sobre o trabalho que ele desenvolveu para esse filme, fez com as distribuidoras de cinema começassem a buscar outros trabalhos de De Palma, já conhecido como discípulo de Alfred Hitchcock, o mestre do suspense. Foi então que localizaram “Irmãs Diabólicas” (1972), com a novata Margot Kidder (Superman: O Filme) e o estranho “O Fantasma do Paraíso”, lançado em 1974. Foi esse filme que me fez conhecer melhor Paul Williams e Brian De Palma.

A Fox Film trouxe “O Fantasma do Paraíso” ao Brasil, imaginando que o nome de De Palma seria o principal atrativo. Não era. Quem chamou a atenção para o filme, que foi lançado num circuito alternativo em poucas cidades brasileiras, foi Paul Williams. Como ator, uma pequena experiência no cinema no cultuado “Caçada Humana” (1966), dirigido por Arthur Penn e estrelada por Marlon Brando, Robert Redford e Jane Fonda. E no filme “Batalha no Planeta dos Macacos” (1973), onde fez o macaco Virgil.

Só que o seu principal campo de trabalho era outro: a música. Como compositor, ele escreveu alguns sucessos para Three Dog Nigth, Helen Reddy, Biff Rose e os irmãos Carpenters. Ao mesmo tempo, Brian de Palma tinha em seus planos filmar uma ideia extravagante que mistura O Retrato de Dorian Gray com a ópera clássica alemã Fausto, composta por Charles Gounod, no final do século 19. A ideia de Brian era colocar essa busca pela imortalidade através da música. Ele não queria mais uma opereta ou um musical no estilo MGM. Ele precisa de algo diferente, uma mistura de estilos do folk ao hard rock.

E foi Paul Williams quem construiu essa pequena obra fora do tempo e do espaço. Brian deu carta branca para que Paul fizesse o que achasse bom para o filme, com músicas integradas à história, mas que pudessem ser ouvidas sem a necessidade de contexto. Foi assim que conheci o filme. Estava na casa de Fernando Morgado, crítico de televisão da Folha e um fã de cinema, quando me convidou para escutar a trilha sonora de um filme que ainda não tinha sido lançado no Brasil, “O Fantasma do Paraíso”. Que trilha fantástica, que navegava entre o rock clássico dos anos 50, passando pelo estilo dos Beach Boys, até um leve heavy metal. Pelas canções não dava para entender o que se tratava o filme, dúvidas que se esvaneceram ao ver duas vezes no mesmo dia, no Cine Sesc, essa inebriante obra-prima.

O filme conta a história de Winslow Leach (William Finley), um compositor desconhecido que está escrevendo uma cantata, uma espécie de musical sobre Fausto, que vendeu sua alma para o demônio pela vida eterna. Ele cruza o caminho de Swan (Paul Williams), um famoso produtor musical que está procurando um som diferente para abrir sua nova casa musical, O Paraíso.

Além de Fausto e O Retrato de Dorian Gray, outro ponto importante é claro, o filme “O Fantasma da Ópera”. Não vou estragar o prazer de você, leitor, que ainda não viu o filme, sobre o que vai acontecer a partir do momento que Winslow parte para a vingança dentro do Paraíso. O roteiro enfatiza almas sendo trocadas por fama, por vaidade, pela eternidade, e o confuso confronto entre o Bem e o Mal.

Tudo isso, numa história que tem momentos divertidos, sinistros e até sentimentais. E o melhor: muita referência ao mestre Hitchcock, como o ataque do Fantasma (Winslow) a Biff (Garret Graham), dentro do Banheiro. E o confronto entre Phoenys (Jessica Harper) a cantora que Winslow acredita ser a única capaz de cantar suas composições. Aliando tudo ao estilo visual que Brian De Palma desenvolveu em suas produções, como a câmera subjetiva e imagens de uma cena sendo observadas por várias câmeras. Podem parecer delírios visuais, mas ajudam muito a contar essa história e muitas outras que o talento de Brian produziu ao longo de sua carreira.

O Fantasma do Paraíso foi um fiasco nas bilheterias dos Estados Unidos. A Fox não quis arriscar a lançar o filme no Brasil por causa disso. Aos poucos e com a trilha sonora sendo executada em rádios americanas, canadenses e francesas, o filme acabou se transformando em cult. Meu encantamento com o filme, com suas canções, e fantásticas atuações, me levaram a ver “O Fantasma do Paraíso” diversas vezes no cinema.

Mesmo tento o filme na minha coleção de DVDs, nada como descobrir que ele está disponível no canal Darkflix+ e abrir o sábado à noite em casa com Rod Serling, o criador de Além da Imaginação, fazendo a narração do começo do filme, antes que Goodbye, Eddie, Goodbye, cantado pelo bizarro grupo The Juice Fruits, abra oficialmente essa obra-prima do suspense e da música.

Que noite feliz…

 

 

Paulo Gustavo Pereira é jornalista formado, com uma carreira consolidada na televisão, no impresso e no jornalismo cultural. Atuou em grandes emissoras como Tupi, Globo, Bandeirantes, Record, Manchete, Cultura e SBT, além de dirigir transmissões do Oscar no Brasil e nos Estados Unidos. Foi colaborador de importantes jornais, dirigiu revistas especializadas e é autor de livros de referência sobre séries e animação. Atualmente, é editor do site BesTV, apresenta o programa homónimo ao vivo e atua como especialista em séries e filmes. O filme “O Fantásma do Paraíso” está disponível na Darkflix+.

 

 

 

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