Um dos grandes nomes do cinema marginal brasileiro celebra 78 anos de idade.
Nascido no Rio de Janeiro, Júlio Bressane iniciou sua jornada na indústria cinematográfica em 1965 como assistente de direção de Walter Lima Júnior. No ano seguinte debutou como diretor com os curtas documentais “Lima Barreto – Trajetória” e “Bethânia Bem de Perto”. Em 1967, dirigiu seu primeiro longa, “Cara a Cara”, obra influenciada pelo Cinema Novo, em especial pelos filmes de Glauber Rocha.
No final dos anos 1970, criou, em parceria com o cineasta Rogério Sganzerla, a produtora Belair. Passaram a produzir filmes de orçamento e prazos limitados lançando “O Anjo Nasceu” e “Matou a Família e Foi ao Cinema” (1969), longa polêmico que acabou sendo retirado das salas de cinema pela censura, que engavetou o filme.
No mesmo ano, após a morte do militante político Carlos Marighella, Bressane decide se exilar em Londres na companhia de Sganzerla e da atriz Helena Ignez depois de ser acusado de manter ligações com Marighella pelo regime militar.
O cineasta retornou ao Brasil em 1972 com o filme “Memórias de um Estrangulador de Loiras” na bagagem. Retomou a produtora Belair apostando em cinema rudimentar na produção, mas criativo no conceito. Ao longo dos anos, foi contemplado com diversos prêmios no Festival de Brasília, com filmes como “Tabu” (1982), “São Jerônimo” (1999) e “Dias de Nietzsche em Turim” (2001).
Bressane também enveredou pela literatura com o livro de ensaios “Alguns” e “Fotograma”. Entre curtas e longas-metragens, o cineasta dirigiu 42 obras. Entre seus trabalhos mais recentes estão “Capitu e o Capítulo” (2021), em que aborda de forma livre o livro “Dom Casmurro” de Machado de Assis, “A longa Viagem do Ônibus Amarelo” e “Leme do Destino”, ambos de 2023.
Em outubro do ano passado, o cineasta foi homenageado na Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo, onde recebeu o prêmio Leon Cakoff pelo seu inquietante cinema de invenção.