O final dos anos 70 já indicava que a ficção científica estava ganhando mais audiência após o inesperado sucesso da space-opera “Guerra nas Estrelas” (1977). Depois vieram em 1979, o terror espacial “Alien – O Oitavo Passageiro” (1979), a adaptação de “Jornada nas Estrelas” para a telona, e a Disney embarcando na onda da ficção com “O Abismo Negro”.
A década de 80 trouxe muita novidade para o gênero, ancorado nesses primeiros títulos pós-Star Wars. Alguns filmes esquecíveis, claro, mas outros que marcaram o gênero pela criatividade de trazer para o público em geral, histórias diferentes dos filmes de monstros e alienígenas que habitaram os cinemas de bairro nos anos 50. O público queria saber além da fronteira final, seja ela no espaço ou em lugares onde a imaginação saberia contar boas histórias.
E para isso, nada melhor do que selecionar no acervo da Darkflix+ três criativos momentos desse fantástico gênero, que ainda hoje geram discussões. E principalmente, curiosidade: “Outland – Comando Titânio” (1981), “A Morte nos Sonhos” (1984), e “Runaway – Fora de Controle” (1984).
São três filmes que representam muito bem aquela ficção científica dos anos 1980 que não dependia necessariamente de grandes franquias: produções relativamente independentes entre si, com boas ideias, elencos fortes e conceitos que ainda hoje funcionam muito bem.
Matar ou Morrer no Espaço
Dirigido e escrito por Peter Hyams, “Outland – Comando Titânio” (1981) levou a estrutura clássica do faroeste para o espaço. A história acompanha o policial William O’Niel, interpretado por Sean Connery, que assume o posto de delegado em uma colônia de mineração localizada em Io, uma das luas de Júpiter. Ao investigar uma série de mortes aparentemente inexplicáveis, ele descobre uma conspiração que envolve a própria administração da instalação.

A influência de “Matar ou Morrer” (High Noon) é evidente: O’Niel é o homem da lei que descobre estar praticamente sozinho diante de inimigos mais poderosos e precisa decidir se abandona a luta ou enfrenta seus adversários. Hyams utilizou essa premissa para construir uma ficção científica de atmosfera sombria e industrial, distante do futurismo limpo que dominava parte do gênero naquele período.
Além de Connery, o elenco reúne Peter Boyle, como o administrador da colônia possível responsável pelos estranhos incidentes, e Frances Sternhagen, como a médica da colônia que terá um papel especial na trama. A produção também contou com nomes importantes atrás das câmeras, como o compositor Jerry Goldsmith, o diretor de fotografia Stephen Goldblatt e o montador Stuart Baird. O resultado é um filme que mistura ficção científica, suspense policial e faroeste, transformando uma história tradicional de confronto entre o indivíduo e o poder em uma aventura espacial. E com Sean Connery mostrando que seu talento era muito mais do que James Bond.
Os Robôs Letais
Antes de se tornar mundialmente conhecido pelas adaptações cinematográficas de seus romances, como “Enigma de Andromeda” (1971), “O Homem Terminal” (1974) e, claro, “Jurassic Park” (1993), Michael Crichton também dirigiu filmes. Ele esteve no comando de alguns bons momentos do cinema como” Westworld – Onde Ninguém tem Alma” (1973), “O Primeiro Assalto de Trem” (1978) até chegar em “Runaway – Fora de Controle” (1984), ele escreveu e dirigiu uma história ambientada em um futuro muito próximo, no qual robôs fazem parte do cotidiano. Mas quando algo de errado acontece, surge uma força policial especializada em capturar máquinas que saem de controle.

Tom Selleck, que estava no auge da carreira na TV, com a série “Magnum” (1980), interpreta Jack Ramsay, um policial especializado em perseguir os chamados runaways, robôs defeituosos ou perigosos. Durante uma investigação, ele descobre que algumas máquinas não estão simplesmente apresentando falhas: alguém está deliberadamente programando robôs para matar. A investigação coloca Ramsay diante do criminoso Luther, interpretado por Gene Simmons, vocalista do Kiss em uma de suas participações mais curiosas no cinema.
O elenco também inclui Cynthia Rhodes, Kirstie Alley, Stan Shaw e G.W. Bailey. Um dos aspectos mais interessantes de Runaway é justamente sua visão de futuro: Crichton evitou situar a história em uma época distante e imaginou uma sociedade que parecia estar apenas alguns passos à frente da década de 1980. A tecnologia, portanto, não domina completamente o mundo, mas já está suficientemente integrada à vida cotidiana para criar novos tipos de crimes e perigos.
Novamente temos a trilha sonora composta por Jerry Goldsmith, além da fotografia de John A. Alonzo. “Runaway – Fora de Controle” combina investigação policial, suspense e ficção científica em uma produção que antecipava discussões que se tornariam cada vez mais presentes com o avanço da automação e da inteligência artificial.
Sonhos que matam
“Dreamscape – Fuga para o Futuro” (1984) parte de uma das ideias mais fascinantes da ficção científica: a possibilidade de entrar nos sonhos de outras pessoas. Dirigido por Joseph Ruben, o filme acompanha Alex Gardner, interpretado por Dennis Quaid, um homem com poderes psíquicos que é recrutado para participar de um projeto científico capaz de permitir que determinadas pessoas invadam e compartilhem os sonhos de outros indivíduos.

Inicialmente, a experiência parece ter aplicações terapêuticas, permitindo que os pesquisadores ajudem pessoas atormentadas por pesadelos. Mas Gardner acaba descobrindo que essa capacidade também pode ser utilizada como arma. A trama ganha então elementos de suspense político e horror, especialmente quando um dos personagens passa a usar o mundo dos sonhos para cometer assassinatos.
Dennis Quaid lidera um elenco particularmente interessante, que reúne Max von Sydow, Christopher Plummer, Eddie Albert e Kate Capshaw. David Patrick Kelly também tem uma participação marcante como o perturbador Tommy Ray Glatman, que fez “Warriors – Os Guerreiros da Noite” (1979) e “O Corvo” (1994). O roteiro foi desenvolvido por David Loughery, Chuck Russell e pelo próprio Joseph Ruben, enquanto a trilha sonora ficou a cargo do veterano Maurice Jarre.
Com efeitos que procuram materializar visualmente a lógica dos sonhos e dos pesadelos, Dreamscape combina ficção científica, aventura, suspense e horror. É uma produção típica de uma época em que Hollywood ainda apostava em ideias originais e conceitos que não precisavam nascer de uma marca já conhecida para chegar aos cinemas.
Agora é entrar na Darkflix+ e conferir essas três preciosidades da ficção científica dos anos 80.
Paulo Gustavo Pereira é jornalista formado, com uma carreira consolidada na televisão, no impresso e no jornalismo cultural. Atuou em grandes emissoras como Tupi, Globo, Bandeirantes, Record, Manchete, Cultura e SBT, além de dirigir transmissões do Oscar no Brasil e nos Estados Unidos. Foi colaborador de importantes jornais, dirigiu revistas especializadas e é autor de livros de referência sobre séries e animação. Atualmente, é editor do site BesTV, apresenta o programa homónimo ao vivo e atua como especialista em séries e filmes.
DARKFLIX+ é um serviço de streaming de filmes e séries dos gêneros terror, ficção-científica e fantasia. Baixe o aplicativo DARKFLIX+ no seu celular ou tablet diretamente de sua loja de aplicativos ou acesse pelo site www.darkflixplus.com.br. Para ter acesso ao conteúdo pago basta assinar o serviço por R$ 9,90/mês, ele pode ser pago através de cartões de crédito. A DARKFLIX+ está disponível em diversos sistemas operacionais e dispositivos de Smart TVs, como o Tizen, webOS, Roku, Android TV, Chromecast, além de iOS e Android (mobile), entre outros. Também está disponível para assinatura pela Claro tv+.