Diretor de “O Albergue” e “Canibais” retorna ao gore com uma história sobre crianças assassinas e um misterioso vendedor de sorvetes; filme estreia em 3 de setembro nos cinemas brasileiros
Um caminhão de sorvetes chega a Bayleen Bay durante o verão. A princípio, nada parece fora do lugar na pequena cidade, até que as crianças que experimentam os produtos vendidos pelo misterioso motorista começam a atacar os adultos. A situação rapidamente sai de controle e transforma as ruas em cenário macabro.
É a partir dessa premissa que Eli Roth constrói “O Sorveteiro” (Ice Cream Man), seu novo longa como diretor. Enquanto os moradores tentam sobreviver à onda de violência, três jovens que não consumiram o sorvete escapam dos efeitos da maldição e passam a investigar o que está acontecendo. Encontrar a origem do fenômeno significa também descobrir quem é o homem por trás do caminhão antes que a violência alcance outras cidades.

Muito gore e efeitos práticos em “O Sorveteiro” (Ice Cream Man)
No papel-título está Ari Millen, ator canadense conhecido principalmente por interpretar diferentes integrantes do Projeto Castor em “Orphan Black”. O elenco também conta com Benjamin Byron Davis, Karen Cliche, Dylan Hawco, Sarah Abbott, Shiloh O’Reilly, Kiori Mirza Waldman, Charlie Zeltzer e Charlie Storey. O próprio Roth faz uma participação no filme.
Por trás de uma história que mistura horror e humor macabro está um projeto que acompanhou o diretor durante boa parte de sua carreira. Roth começou a desenvolver a ideia de “O Sorveteiro” cerca de duas décadas atrás, mas o filme só saiu do papel agora. Ao falar sobre suas referências, o cineasta comparou a história a uma versão perversa do Flautista de Hamelin e mencionou entre suas influências “Os Pássaros” (1963), de Alfred Hitchcock, “Vampiros de Almas” (1956) e “As Crianças” (1980), terror americano dirigido por Max Kalmanowicz sobre um grupo de crianças transformadas em assassinas após a exposição a uma nuvem tóxica.
A longa gestação do projeto faz com que “O Sorveteiro” atravesse praticamente toda a trajetória de Roth como realizador. Quando a ideia começou a tomar forma, ele ainda estava próximo do impacto provocado por “Cabana do Inferno” (2002) e “O Albergue” (2005), filmes que ajudaram a projetá-lo como um dos nomes mais reconhecidos do terror americano dos anos 2000.

“O Albergue”, um dos grandes sucessos de Eli Roth
“O Albergue”, em particular, tornou-se decisivo para essa reputação. Produzido por Quentin Tarantino, o longa acompanhava turistas americanos capturados por uma organização que comercializava sessões de tortura na Europa e ganhou uma continuação dirigida pelo próprio Roth em 2007. Alguns anos depois, o cineasta voltou à violência extrema com “Canibais” (2013), sua incursão pelo horror canibal inspirada por produções italianas que marcaram o subgênero entre as décadas de 1970 e 1980.
Sua filmografia, no entanto, não ficou restrita ao gore. Roth dirigiu Keanu Reeves em “Bata Antes de Entrar” (2015), comandou Bruce Willis no remake “Desejo de Matar” (2018) e entrou no cinema fantástico voltado a um público mais amplo com “O Mistério do Relógio na Parede” (2018). Em 2023, retornou ao slasher com “Feriado Sangrento”, desenvolvido a partir do falso trailer que havia criado para o projeto “Grindhouse”, de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, em 2007.
“O Sorveteiro” recoloca o diretor em um terreno consideravelmente mais sangrento. Roth afirmou que estabeleceu para o novo filme uma meta incomum até para os padrões de sua carreira: superar, em um único longa, o número de mortes de todos os seus trabalhos anteriores somados. A proposta ajuda a dimensionar o tipo de experiência pretendida pelo cineasta, que desta vez combina a estrutura de um filme de sobrevivência com humor mórbido e violência gráfica.
Roth assina o roteiro ao lado de Noah Belson e também integra a equipe de produtores. A produção executiva inclui o rapper Nas, enquanto Snoop Dogg participa da trilha musical. Nos efeitos de maquiagem estão Adrien Morot e Steve Newburn, que já haviam trabalhado com o diretor em “Feriado Sangrento”. Morot é vencedor do Oscar de Melhor Maquiagem e Penteados por “A Baleia” (2022) e voltou a receber a estatueta por “A Substância” (2024), ao lado de Pierre-Olivier Persin e Stéphanie Guillon.
Antes de “O Sorveteiro”, revisite Eli Roth na Darkflix+

Cena de “Canibais” (The Green Inferno), 2013
A chegada de “O Sorveteiro” aos cinemas também é uma oportunidade para revisitar parte da filmografia que consolidou Eli Roth no terror contemporâneo. Três de seus trabalhos como diretor estão disponíveis na Darkflix+: “O Albergue” (Hostel, 2005), “O Albergue II” (Hostel: Part II, 2007) e “Canibais” (The Green Inferno, 2013).
Vistos em sequência, os três filmes registram diferentes momentos de uma carreira construída em permanente diálogo com o cinema de horror extremo. “O Albergue” levou Roth ao sucesso internacional, sua continuação ampliou aquele universo sob uma nova perspectiva e “Canibais” recuperou uma vertente particularmente controversa do cinema de gênero. Mais de uma década depois, “O Sorveteiro” traz um diretor novamente disposto a testar os seus limites.
“O Sorveteiro” estreia em 3 de setembro nos cinemas brasileiros, com distribuição da Diamond Films.
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