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Perversa Paixão: o filme que revelou o diretor Clint Eastwood

Publicado em 3 de Março de 2026 por Wanda Pankevicius Barros

 

Texto de Paulo Gustavo Pereira – Jornalista e apresentador.

 

Quando Quentin Tarantino criou o que ele chamaria de grande homenagem ao cinema em Era uma vez em Hollywood (2019), ele prestou uma homenagem sem muito alarde a Clint Eastwood. Em qualquer pesquisa sobre a carreira do ator, é possível ver que ele fez diversos filmes de baixo orçamento nos anos 50, estrelou sua primeira série de TV de sucesso, Couro Cru (Rawhide – 1959), e quando Sergio Leone o convidou para estrelar seu primeiro bang-bang à italiana, Por um Punhado de Dólares (1964).

Tudo isso está bem disfarçado na história de Rick Dalton, personagem de Leonardo Di Caprio, dentro de Era uma Vez em Hollywood. A diferença entre o fictício Dalton e o verdadeiro Eastwood, é que a história do personagem termina quando sua casa é invadida pelos loucos da seita de Charles Mason, enquanto a do futuro ganhador do Oscar, segue por um outro caminho graças ao sucesso do suspense Perversa Paixão (1971), o primeiro filme dirigido por Clint Eastwood.

A carreira de Eastwood mudou nos anos 70. Além de estrelar e dirigir Perversa Paixão, naquele mesmo ano entrava no circuito outro filme de ação que mostraria um policial sem medo e quebrador de regras contra os criminosos, Harry Callahan, conhecido como Dirty Harry, em Perseguidor Implacável. Esse, é claro, é outro capítulo na fantástica carreira de Clint Eastwood.

Quando voltou da Europa, Clint já tinha na sua agenda alguns filmes como protagonista como O Desafio das Águias (1968), Os Aventureiros do Ouro (1969), Os Abustres tem Fome (1970), Os Guerreiros Pilantras (1970) e O Estranho que nós amamos (1971). Seu principal desejo, na realidade, era o de também dirigir um filme, assim como o seu amigo e parceiro Don Siegel, que o dirigiu em cinco filmes desde Meu Nome é Coogan, de 1968.

Perversa Paixão conta a história de Dave (Eastwood), um disk-jockey de uma pequena radio da cidade de Carmel, na Costa da California. Há algum tempo, ele tem recebido o telefonema de uma ouvinte, chamada Evelyn (Jessica Walter), pedindo para que ele toque a música Misty, composta por Erroll Garner e Johnny Burke, em 1954, e que ficou popular na versão cantada por Johnny Mathis em 1959.

O título original Play Misty for Me, vem dos constantes pedidos de Evely para Dave. Tudo muda quando, após sair da radio, Dave vai tomar um drinque num bar de seu amigo Murphy, feito por Don Siegel, em seu primeiro trabalho como ator. É lá que, Dave conhece Evelyn pessoalmente. O grande problema é que Evelyn não é uma fã convencional. Ela nutre uma paixão irracional por Dave, a ponto de querem se matar para não perder essa avassaladora paixão. Sim, qualquer semelhança com Atração Fatal (1987) ou Fixação (2002), não é coincidência, em Hollywood. É aproveitar uma boa história para uma nova versão.

A história original foi baseada num texto de Jo Heims e Dean Riesner, sobre uma fã obcecada por um DJ de Radio. A Universal Pictures, produtora do filme, deu carta branca para Eastwood desenvolver o projeto. Ele decidiu filmar em Carmel, cidade perto de São Francisco, a qual ele gostava muito de passar férias. Além da locação naquele trecho da Costa da Califórnia, Clint também aproveitou para incluir imagens do lendário Festival de Música de Monterrey. Aliás, foi no Festival de Monterey de 1970, que Clint conheceu o autor da música, pedindo sua pediu autorização para usá-la no filme.

Depois de passarem uma bela noite explorando os lendários prazeres da carne, Dave se despede de Evelyn com quase a certeza de que nunca mais a encontraria. Ledo engano. Ela começou a aparecer em sua casa, na rádio, exigindo mais presença dele em sua vida. Para piorar, antiga paixão de Dave, Tobbi (Donna Mills) volta para Carmel, dando sinais que quer retomar a antiga relação.

Não vou me aprofundar na história, para não estragar o prazer de acompanhar essa bizarra relação que, obviamente, não vai acabar bem. Anos depois, vários estudos no campo da psicologia e psiquiatria, identificaram o problema de Evelyn como Transtorno de Personalidade Bordeline, uma condição psicológica e psicossocial grave, caracterizado por extrema dificuldade em regular as emoções. Um dos exemplos é a explosão emocional que Evelyn tem quando a diarista de Dave entra em casa e a encontra destruindo o quarto dele.

Perversa Paixão é uma versão do título original que faz você desconfiar de tudo o que está acontecendo no filme. Não apenas do comportamento estranho de Evelyn que vai escalando para piorar a vida de Dave, como da estrutura do filme que vai aumentando a tensão a cada cena. Ninguém deu a mínima para esse primeiro trabalho atrás das câmeras de Clint Eastwood.

Tudo mudou quando ele ganhou o Oscar com Os Imperdoáveis (1993). Os críticos, especialmente os americanos, acabaram descobrindo as qualidades de seu trabalho como diretor, em todos os filmes as quais ele também produziu como Entre Meninos e Lobos (2004), Menina de Ouro (2005, que lhe garantiu o Segundo Oscar) e as indicações posteriores com Cartas de Iwo Jima (2007) e O Sniper Americano (2015).

Assista Perversa Paixão na Darkflix+. Se diziam que Atração Fatal era uma metáfora sobre AIDS, ou seja, cuidado na hora de fazer sexo com estranhos, Perversa Paixão é uma obra sobre o medo do desconhecido, seja uma paixão casual num bar ou numa noite de prazer com consequências perigosas.

 

Paulo Gustavo Pereira é jornalista formado, com uma carreira consolidada na televisão, no impresso e no jornalismo cultural. Atuou em grandes emissoras como Tupi, Globo, Bandeirantes, Record, Manchete, Cultura e SBT, além de dirigir transmissões do Oscar no Brasil e nos Estados Unidos. Foi colaborador de importantes jornais, dirigiu revistas especializadas e é autor de livros de referência sobre séries e animação. Atualmente, é editor do site BesTV, apresenta o programa homónimo ao vivo e atua como especialista em séries e filmes.

 

 

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